Potencialidades da Televisão no Ensino da Língua Portuguesa

Introdução

No âmbito da unidade curricular Língua Portuguesa e Tecnologias de Informação e Comunicação, foi pedido que se realizasse um trabalho, tendo por base a televisão e as suas potencialidades para o ensino da Língua Portuguesa.
A finalidade deste trabalho consiste em abordar um conteúdo programático sobre a Língua Portuguesa, após a visualização de um programa televisivo. A exposição deste tópico é demonstrada através de uma atividade oral e de outra escrita, sendo que ambas foram definidas e criadas pelas discentes.
Assim, este trabalho encontra-se organizado de maneira a ser apresentado, primeiramente, o contexto educativo onde se iria trabalhar e, posteriormente, os problemas identificados onde o trabalho se irá desenvolver recorrendo a um programa televisivo.
Deste modo, primeiro será apresentado a caracterização do grupo, de seguida a justificação do tema e a descrição do programa televisivo e do episódio escolhido, onde será descrito de uma forma geral os objetivos do projeto e em maior pormenor, o episódio em questão. Para finalizar, serão explicadas as atividades a realizar e uma breve conclusão sobre as potencialidades da televisão para o ensino da Língua Portuguesa.

Caracterização do grupo

Este trabalho foi desenvolvido em torno de um grupo do primeiro ano do ensino básico do agrupamento de escolas Daniel Sampaio.
O grupo é constituído por doze crianças, sendo três raparigas e nove rapazes, tendo idades compreendidas entre os seis e os sete anos. Algumas destas crianças estão a ter o seu primeiro contacto com a escola este ano, mas na sua maioria frequentaram o pré‑escolar na mesma instituição, conhecendo, assim, as instalações.
Verificaram-se alguns problemas na identificação sonora e escrita de determinados ditongos no grupo de crianças escolhido, por essa razão este trabalho destina-se a tentar colmatar essas dificuldades.

Justificação do tema

Tendo em conta as Metas Curriculares de Português do Ensino Básico, optou-se por trabalhar com o grupo do primeiro ano do ensino básico sobre a meta nº 6: “Conhecer o alfabeto e os grafemas”. Mais concretamente, a meta 6.4 (“Escrever as letras do alfabeto, nas formas minúscula e maiúscula, em resposta ao nome da letra ou ao segmento fónico que corresponde habitualmente à letra”); a 6.5 (“Pronunciar o(s) segmento(s) fónico(s) de, pelo menos, cerca de ¾ dos grafemas com acento ou diacrítico e dos dígrafos e ditongos”); e, por fim, a 6.6 (“Escrever pelo menos metade dos dígrafos e ditongos, quando solicitados pelo valor fonológico correspondente”) (Programa e metas curriculares de português do ensino básico, 2015).
Visto que “ensinar a decifrar é um processo crucial na educação básica de qualquer sistema de ensino” (Sim-Sim, 2009, p. 8), a identificação do valor fónico de cada grafema deve ser algo natural para a criança, de modo a não ter dificuldade numa posterior formação de palavras.

Descrição do Programa Televisivo

“As Canções da Maria” é um projeto de cariz didático desenvolvido por Maria de Vasconcelos, juntamente com Xavier Colette, marido de Maria, e as duas filhas, Mathilde, de onze anos, e Manon, de nove. Maria de Vasconcelos, para além de artista, é médica psiquiatra e desde que começou o curso que escreve canções para ser mais fácil a memorização de conteúdos.
Assim, as crianças estudam a cantar e é como se se brincasse, não exigindo tanto esforço. Segundo a artista, “Nós temos dois hemisférios cerebrais: um esquerdo, da lógica, do pragmatismo, da linguística, focado numa tarefa de cada vez, mais teimoso mostrando mais persistência em acabar aquilo que começou, e um hemisfério direito, da linguagem não falada, capaz de tratar várias coisas ao mesmo tempo, mais flexível, mudando de planos para resolver problemas, aparentemente mais ligado à avaliação emocional e à memória emocional, mais sensível à linguagem artística. Quanto mais os dois funcionarem com um mesmo propósito mais fácil é a memorização. Logo, se a matéria for cantada de forma engraçada, associamos o conteúdo a decorar a uma forma muito agradável de o transmitir, associamos os dois hemisférios, e isso facilita a aprendizagem” (Vasconcelos, 2015).
Esta artista aliou as suas músicas aos desenhos de Nuno Markl e, assim, desenvolveram diversos videoclipes didáticos e educativos, tanto para a educação de infância como para o primeiro ciclo do ensino básico.

  •  Descrição do episódio

Dos vários recursos disponíveis, o videoclipe da música “Os ditongos a cantar” de Maria Vasconcelos foi o suporte escolhido para o desenvolvimento deste projeto, visto que trabalha a temática dos ditongos de uma forma lúdica, apelativa e as músicas abordadas já são do conhecimento de muitas das crianças em questão.
No decorrer do vídeo, em primeiro lugar são enunciadas as vogais e só depois os ditongos, acompanhados de palavras para que a associação seja mais fácil. Desta forma, a atividade seguirá a mesma lógica.

Atividades a realizar

As atividades estão previstas para dois dias distintos, tendo as duas uma duração de uma hora, sendo que quinze minutos são destinados à visualização do filme.
Este meio audiovisual vai ser apresentado às crianças, logo no início da sessão para que estas identifiquem as vogais (a, e, i, o, u) (Figura 1), bem como os ditongos enunciados (ai, ei, oi, ui, au, eu, ou, ua, ia, io, iu). A apresentação do vídeo terá a duração de um quarto de hora, de forma a que seja possível repetir, se as crianças o desejarem e fazerem perguntas sobre o que foi transmitido no ecrã.

  • Atividade escrita

A atividade escrita começa com a formação de seis grupos de trabalho, de dois elementos. Após o visionamento do filme, distribui-se um puzzle (Figura 2) com vogais, às crianças, alusivo ao que aparece no videoclipe (Figuras 3 e 4), para que as consigam identificar e juntá-las, de modo a que seja possível a descoberta de ditongos. Seguidamente, as crianças escrevem os ditongos que formaram com base nos fonemas apresentados no vídeo, em cartões previamente distribuídos.
A atividade total terá a duração de uma hora, sendo que uma parte é ocupada pela visualização do vídeo, como foi referido anteriormente. É de salientar, que a visualização deve ser orientada de forma a que todos os ditongos sejam escritos nos cartões, e que não comprometa a atividade seguinte.






  • Atividade oral

Para a atividade seguinte, devem-se distribuir dois cartões a cada par, anteriormente já formado. À medida que são lidas algumas palavras que aparecem ao longo do vídeo (tal como “pau”, “frio”, “céu”), as crianças que tiverem o ditongo correspondente devem levantá-lo e lê-lo. Após todas as crianças terem a oportunidade de responder, o professor volta a baralhar os cartões e pode aumentar o número de cartões por grupo (Figura 5).
Se as crianças demonstrarem muita dificuldade podem-se mostrar os cartões com os ditongos ilustrados para que comecem a relacionar o fonema com a grafia (Figura 6).
A atividade será feita a pares, visto que as crianças, ao possuírem certas dificuldades de identificação dos ditongos, limitam a atividade, sendo a partilha e a troca de ideias um fator privilegiado neste grupo. Assim sendo, a atividade deve ter uma duração adequada, para que as crianças possam pensar e discutir entre si sobre o som dos ditongos e as palavras correspondentes.
O professor deve ter em atenção se os grupos são equilibrados de modo a que as crianças não se sintam envergonhadas ou sejam sempre as mesmas a responder.
Esta é uma atividade que poderá permitir resultados relevantes, na medida em que promove o convívio entre as crianças, motiva a aprendizagem, sentido crítico e pode tornar as crianças mais confiantes e desenvoltas.





Conclusão

Com este trabalho podemos afirmar que nem sempre é preciso um grande investimento para usar as TIC em sala de aula. A televisão, desde que orientada pelo professor pode substituir alguns recursos, visto que tal como afirma Argollo  (2005, p. 6) “talvez ensinar o aluno a ler apenas livros/palavras não é suficiente, pois nem sabemos se ele vai realmente praticar extensivamente tal exercício, ou ter o hábito dele – mas certamente assistirá à televisão”.
Neste caso, o computador assume o papel apenas de suporte, no entanto pode ir além de este papel. Assim, pretende-se que “os docentes se apropriem e tirem partido das potencialidades que as novas ferramentas trazem para a comunicação na sala de aula e para as aprendizagens, permitindo, nomeadamente que todos os alunos possam visitar «outros espaços», ler outros textos, escrever e divulgar os seus textos, comunicar com outros alunos” (Tavares & Barbeiro, 2011, p. 8).
Por fim, a televisão, muitas vezes vista como mero entretenimento, pode ser utilizada como recurso pedagógico, dado que cada professor utilizará esta tecnologia, aproveitando o seu potencial para desenvolver novos projetos educacionais de acordo com as suas intencionalidades educativas (Faria, 2004).



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